Pandemia e confinamento “tornam a questão do empreendedorismo ainda mais relevante”

A 3.ª edição do EntrepreNow termina esta sexta-feira, 15 de janeiro, num último debate a partir das 18h00, dedicado ao tema “Lucrativo ou Social?” aplicado aos negócios e transmitido na página do Facebook da U.Porto Inovação. Ao todo, foram cinco dias, cinco debates, que decorreram pela primeira vez em versão virtual. Mas mesmo online, o EntrepreNow reuniu a “nata” do tecido empresarial portuense, muitos dos quais empreendedores “gerados” nos laboratórios e parques tecnológicos da U.Porto. Daquele que é o maior evento de empreendedorismo desta universidade, realizado desde 2017 pela U.Porto Inovação com apoio do Santander Universidades, resultaram várias conclusões úteis: desde logo que, em contexto pandémico, o empreendedorismo ganha ainda maior relevância, como frisou a pró-reitora Joana Resende.

“Nesta fase, em que há o combinar de um processo que nos levará ao confinamento, este é mais um desafio que as nossas empresas enfrentam”, afirmou Joana Resende, docente de Economia na Universidade do Porto e pró-reitora com a pasta do Planeamento Estratégico. “Estas perspetivas, que são particularmente difíceis – não há nota, nos anos mais recentes, de uma dificuldade económica desta natureza -, de facto tornam a questão do empreendedorismo ainda mais relevante”, disse.

Isto porque, no entender da responsável, os empreendedores e empresários vão ter de conseguir desenvolver ideias com a capacidade de mudar a vida das pessoas e de criar modelos de negócios interessantes para pôr em prática tais ideias, que se quer que tenham impacto social. Além do mais, frisa a pró-reitora, neste período de pandemia surgiram muitas novas necessidades que são também oportunidades para novas ideias, tecnologias e negócios.

“Se é verdade que os desafios são muitos e as empresas estão a viver momentos dramáticos em muitos setores, é também verdade que há muitas necessidades que importa agora identificar bem e procurar soluções para as resolvermos”, disse. “Temos situações de empresas que floresceram na pandemia, até, e que, aproveitando tecnologias da universidade, conseguiram desenvolver-se e crescer, apesar do contexto pandémico”, concluiu.

Para Joana Resende, esta edição do EntrepreNow, ao juntar vários testemunhos de empreendedores do ecossistema de negócios portuense, é uma oportunidade para partilhar as suas histórias empresariais, as suas perspetivas face à crise que nos assola. E também, a partir da sua experiência, inspirar a que novos negócios possam surgir para que o conhecimento que existe na universidade seja colocado ao serviço das pessoas.

Esta necessidade de reinvenção e procura de novos métodos e modelos vale, aliás, também para o próprio EntrepreNow. A pandemia, se por um lado obrigou a que todo o evento fosse virtual e transmitido online, sem os mais de 100 participantes físicos que todos os anos a ele assistiam, por outro também levou a organização a deixar os vídeos dos debates disponíveis na net, podendo potencialmente ser vistos ao longo do ano por muitos mais interessados.

E, a julgar pelas conclusões úteis resultantes do evento e avançadas por Joana Resende, pode bem valer a pena dedicar-lhes um pouco de tempo. “Na verdade a conclusão que se retira destes debates é que não há, de facto, receitas generalistas que possam ser implementadas”, “não há uma receita única”, disse. A pró-reitora frisou que “o que funcionou bem nuns casos pode não funcionar tão bem noutros” e que, às vezes, o produto é bom e falha no modelo de negócio, pelo que é preciso ser observador e ir fazendo ajustes.

A pró-reitora do U. Porto para o Planeamento Estratégico diz que o importante é dotar os empreendedores da sua universidade de ferramentas para desenvolverem o melhor modelo de negócios possível. “Para nós, uma conclusão [do EntrepreNow] é a de que a universidade terá necessariamente de criar condições para que o conhecimento que existe aqui, que é aqui criado, consiga chegar à sociedade e às nossas empresas. E os nossos empreendedores são esses veículos”, afirmou.

“Uma conclusão que também sai destes debates é que não há que ter receio de falhar. Naturalmente, teremos de dar o nosso melhor, acautelar as várias fases: não só o produto, propriamente dito, mas também a questão do modelo de negócios e outras, os esforços de internacionalização, a equipa certa… Os desafios são enormes face, às vezes, aquilo que eram as expectativas iniciais”, disse ainda.

Fazendo um balanço das edições anteriores, Joana Resende afirma os resultados positivos do EntrepreNow. De acordo com o feedback que tem recebido, o evento tem duas mais-valias muito fortes: a partilha de experiências, histórias e soluções encontradas por parte de empreendedores já estabelecidos, e os momentos de networking, onde se geram oportunidades de trocas de informação, contactos e até onde por vezes se estabelecem relações comerciais.

“Consideramos que, deste ponto de vista, tem sido um evento muito bem conseguido”, disse a pró-reitora. No seu entender, o êxito do evento começa logo pela sua designação. “O próprio nome do evento, EntrepreNow, é algo que eu gostaria de referir, que é esta ideia do empreender e empreender agora”, explicou. “Estamos num mundo em que mesmo que os nossos estudantes, os nossos cidadãos, não tenham a perspetiva de ‘eu quero tornar-me empresário’, a verdade é que temos de ser empreendedores em muitas situações da nossa vida profissional e até da nossa vida pessoal”, concluiu.

A pró-reitora da U.Porto para o Planeamento Estratégico considera que, “numa sociedade em plena transição digital, que vive ao ritmo da máquina, o que este EntrepreNow pretende em termos do que os participantes possam levar, em termos da conceção de estratégias claras e vencedoras” é, por um lado, conhecerem os recursos que foram mobilizados noutros projetos, os problemas enfrentados, as soluções encontradas e, por outro, perceberem o que funcionou mal.

“Acho que é uma mensagem muito importante para os nossos empreendedores levarem.”, rematou Joana Resende.

Dinheiro Vivo Online – 22 JANEIRO 2021

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